A BELA D'ERMESINDE
A BELA D'ERMESINDE
NO JORNAL PÚBLICO
DE 20 DE ABRIL DE 1992
Sob o título “Ermesinde é mesmo um dormitório”, Nuno Corvacho escreveu no jornal Público de 20 de Abril de 1992 o seguinte:
«Se não nasceu com o comboio, deu pelo menos com ele o grande salto para a idade adulta. De um simples povoado rural, transformou-se graças aos caprichos da via-férrea, num dos mais populosos e desordenados centros urbanos do país. Cerca de 55.000 pessoas lá vivem ”Desastre urbanístico” para muitos, Ermesinde representa talvez um paradigma fiel do que é crescer espontaneamente e sem freio: um caso pioneiro na área envolvente do Porto. Situada no ponto de confluência da Linha do Douro e da do Minho, Ermesinde acabou por ser a terra eleita pelos minhotos e transmontanos que vinham que vinham para a grande cidade do litoral em busca de trabalho».
É um facto que grande parte da população de Ermesinde veio desde, Amarante, Baião, Régua, Mogadouro e outras terras Transmontanas, para trabalhar desde o Caminho-de-ferro aos transportes públicos como os STCP.
Ainda no mesmo pode-se ler:
«Em Julho de 1990, Ermesinde foi promovida a cidade. Apesar disso, não foi ao mesmo tempo elevada a sede de concelho. Pertence assim, juntamente com Odivelas e Alverca, ao grupo das três cidades portuguesas “sem Câmara Municipal”. Está integrada no Concelho de Valongo, mas tem mais população que o resto do concelho. Em período eleitoral, não há candidato à autarquia de Valongo que não procure assegurar-se do apoio da dilatada freguesia. Há quem pense que essa influencia de facto, deveria ter uma concretização administrativa. É por isso que Ermesinde tem sido recentemente palco de movimentos que pretendem a libertação da cidade da tutela municipal de Valongo e a sua elevação a concelho».
Ainda neste artigo, e conforme entrevista dada por Jorge Videira, Presidente da Junta de Freguesia, pode-se ler a “infeliz” denuncia, que considero injusta e totalmente fora do contexto, mas...
«Adianta Jorge Videira: (...) Talvez pelo fraco apego à terra, certas normas cívicas ainda não foram inculcadas pelas pessoas. É o caso da atitude perante o ambiente: escassos cuidados de limpeza e algum desmazelo na utilização dos jardins públicos — denuncia o autarca. Talvez seja uma consequência de uma povoação construída por forasteiros e ocupada por gente que a considera como um “mal menor”. Jorge Videira pretende ser realista: “Ermesinde é mesmo uma cidade-dormitório e penso que isso nunca será totalmente apagado”».
Será que os “forasteiros” como lhe chama o Sr. Presidente, não são civilizados? E que todos os naturais cumprem as “normas cívicas”? São só eles que têm cuidados de limpeza, os outros são porcos?
“Perdoai-lhes Senhor que não sabem o dizem!”
Numa outra entrevista de 28 de Julho de 1996, dada ao jornal Diário de Noticias, o Sr. Presidente pôde-se, “quase redimir” da outra dada quatro anos antes, com as seguintes palavras:
«Jorge Videira, presidente da Junta de Freguesia, longe da capacidade de intervenção como um município. Isto, numa cidade com 55 mil habitantes, perto de metade da população do concelho e muito superior à residente em Valongo, com cerca de 18 mil. É também em Ermesinde que se gere quase metade das receitas do concelho, de certa forma devido à desenfreada construção urbanística. Para o edil, se não se tomarem medidas, muito em breve será um caos na cidade, prevendo-se que em 2004 atinja os 80 mil habitantes. A câmara deixa construir em tudo que é sitio, não havendo espaços para quintais, garagens ou passeios nas ruas. (...) A rede viária, devido ao maior parque automóvel está degradada e os 10 mil habitantes do Lugar da Bela não têm um acesso directo ao centro da cidade. Para ali se deslocarem precisam de passar pelos concelhos de Santo Tirso e Maia».
Noutra entrevista a 25 de Março de 1998 dada por Calos Magno ao Jornal de Noticias, com o título: “Ermesinde sonha com independência”, lê-se a certo passo:
«As lutas pela emancipação de Ermesinde já vêm desde 1836, quando a freguesia foi separada, juntamente com Alfena, do concelho da Maia, disse-nos Carlos Magno, que nos referiu depois, uma série de acontecimentos, entre os quais a tentativa de criar o município, logo a seguir à implantação da Republica.
Disse ainda o Presidente da Associação Amigos de Ermesinde, Carlos Magno: A bem dizer nunca deglutiu bem a separação da Maia e o salto em frente veio a ser dado por vários autonomistas como é o caso da Comissão de Melhoramentos”um grande movimento cívico e fórmula para corresponder à ansiedade e expectativa de tornar real a miragem que era a não existência da Câmara Municipal de Ermesinde”».
Esta mesma entrevista, termina com Carlos Magno a citar Jorge Videira, referindo-se à elevação de cidade:
«O presidente da Junta de Freguesia, Jorge Videira, foi claro quando em 13 de Julho de 1990, a vila foi elevada a cidade: “Esta deliberação não passa de um mero titulo honorifico, uma vez que continuamos a ser tratados por Valongo, como se fossemos mais uma freguesia”...».
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