LENDA DA BELA
“A COBRA MOURA”
Compilado do
Livro: «Ermesinde – Registos Monográficos»
Transcrevo esta
lenda tal como os autores a descrevem:
«Quem
não se lembra ainda, dos que têm mais de sessenta anos, de ouvir falar na “Cobra
Moura” que aparecia nos montes da Bela, então com verdejante e frondosa
vegetação? Ali mesmo, ao lado do Rio Leça, próximo de uma fonte que lá existiu
e se denominava “Fonte dos Amores”, à qual se refere as bonitas fotos que
reproduzimos, aparecia, há longos anos, uma grande cobra, que, além da
dimensão, tinha a particularidade de ter cabelo na cabeça. Diziam os antigos
que esse réptil, que àquele lugar levava inúmeros curiosos atraídos pelo
fenómeno, era a “Cobra Moura”.Ora seja lenda ou verdade, pois não temos
argumentos que nos levem ao apuramento dos factos, diz-se que em recuados
tempos muitos carros de bois que ali passavam, sem que nada o fizesse prever,
bois e carros eram atirados pelo declive, indo parar ao leito do Rio Leça como
se tratasse de coisa ruim, ou, o que era mais verosímil, de mágico poder da “Moura”
transformada em cobra. A lenda alude ainda a outro caso invulgar, que era o
desaparecimento de alguns rebanhos que se apascentavam nas ubérrimas margens do
Leça e eram sonegados sem deixar rasto. Passar por ali, dizem os mais velhos,
era um perigo e um desafio à “Cobra Moura”. Esta tinha poderes sobrenaturais,
artes mágicas, que amedrontavam uns e desafiavam outros a invectivar o
desconhecido, talvez o irreal, mas que faz do nosso património cultural, que
devemos preservar».
Sobre esta lenda conhecida no lugar da Bela
e não pondo em duvida a descrição feita pelos seus autores, atrevo-me a dizer
que tenho outra versão da lenda, que me foi contada há trinta e cinco anos
atrás por um casal simpático, que Deus lá tem, a Sr.ª Ângela, uma velhinha de
75 anos natural e moradora na Bela, com a ajuda de seu marido, o bom Sr.
António. Narraram-me a meu pedido, a lenda que teve lugar nesta terra há muitos
anos atrás, quando a Bela era mesmo muito bela, com as margens idílicas do Leça
cobertas de paradisíaco arvoredo. E foi assim…