sábado, 26 de maio de 2012

ERMESINDE


PARQUE SOCER

Nos terrenos da antiga fábrica da Resineira, aberta em Junho de 1901, inaugurou-se em Agosto de 2009 o Parque Socer (acesso pela Rua Elias Garcia - Ermesinde), um espaço inovador que combina a paisagem natural com a paisagem humanizada, realçando a integração harmoniosa do Rio Leça num espaço de lazer e recreio. Destacam-se os equipamentos adaptados à prática de desporto radical, o circuito de manutenção, bem como o campo de futebol, para livre utilização por parte dos seus visitantes. O espaço inclui também um parque infantil com várias opções para as crianças.
Sem dúvida, um convite ao lazer e à prática de desporto no seio da Natureza

 




        O lugar da Travagem foi sempre mais desenvolvido (até mais que o centro de Ermesinde), devido a estrada de grande movimento entre o Porto e Guimarães, passando a gozar de grande prestígio, desde a construção da ponte de três arcos sobre o rio Leça, inaugurada em 1845 (e remodelada em 1990). Na Travagem nasceu quase tudo de importante que Ermesinde tem.
         Na década de 60, com a chegada do 1º Troleicarro a 17 de Novembro de 1968 e depois os Autocarros em Abril de 1995, era o local mais perto onde a população da Bela tinha acesso aos transportes públicos. Embora o apeadeiro da Travagem fosse há muitos anos, um ponto de partida e chegada de muitos trabalhadores na cidade do Porto e arredores. 
       Este lugar gozava do prestígio que lhe vinha desde o século XIX, com o privilégio de ter um hotel (o edifício ainda existe encostado à padaria Lino), quando o Leça era uma atracção turística de grande procura e nas suas águas se davam belos passeios de barco, ou se merendava nas aprazíveis margens.
      Nesse tempo em que a Fonte da Feira, em que se lê na pedra gravado: “AGOA SEMPOSSE - 1858” “Propriedade da Casa Lino”, ainda se bebia boa e fresca água.
       Foi ainda no Hotel Sobral na Travagem, que no dia 1 de Junho de 1921, foi fundada essa prestimosa instituição que são os Bombeiros Voluntários de Ermesinde.
       Com a construção da Feira de Ermesinde, inaugurada numa segunda-feira a 12 de Setembro de 1927, a par do fabrico da famosa “regueifa” da prestigiosa “Padaria Lino”, assegurado pela moagem continua dos moinhos ali perto, a Travagem ganhou outro incremento comercial. 
        Quanto à indústria, a Travagem orgulhava-se de possuir uma das maiores empresas transformadoras de materiais resinosos, a “Resineira” fundada em 1901. (demolida em 2006, embora hoje, ainda se possam ver as casas dos empregados com seus tons de verde).
       Outra das grandes indústrias na Travagem, é a fábrica de metalomecânica fundada em 1936, a “Felino”, fábrica ainda existente, embora a maior parte das suas instalações se mudassem para outro local do concelho.
       Mesmo na vertente desportiva, a Travagem pode-se orgulhar de ser ali, que o Ermesinde Sport Clube foi fundado, a 10 de Agosto de 1936. Assim como a Académica da Travagem nos anos 60.
        O Café Record inaugurado em 1965 foi ponto de encontro de muitas gerações. Teve grande movimento no período revolucionário quando ali se juntava a malta de esquerda do lugar.
       O tempo passou, o rio poluiu-se, as zonas de veraneio acabaram e surgiram a par do progresso, os grandes edifícios como a Churrasqueira da Travagem, inaugurada a 14 de Janeiro de 1969.
       A Linha do Minho alargou-se para via dupla em 1996, quando terminou a passagem “proibida”, para quem vinha da Bela e atravessava a linha. Foi construída uma passagem desnivelada e à fábrica “Felino” foi tirada uma boa fatia de terreno. Na ponte centenária do caminho-de-ferro sobre o Leça, também foi feita uma elegante obra de engenharia que não arruinou o seu traçado original. Ainda se procedeu simultaneamente na mesma data, ao alargamento do Pontilhão, única entrada da Bela até àquela época.




quinta-feira, 26 de abril de 2012

ERMESINDE


Capela do Sr. dos Aflitos, Lugar de Vilar de Matos em Ardegães
Capela de planta longitudinal e nave única, coberta por um telhado de duas águas. Fachada coberta com azulejo azul e branco de padrão discreto. A cobertura é rematada por uma cruz central e dois pináculos piramidais nos laterais. Nos anos 60 foi ampliada e ganhou uma sacristia, além de outras alterações de menor monta.

Igreja do Bom Pastor, Largo das Oliveiras
Construída entre 14 Julho 1957 a 21 de Abril de 1966.
Foi consagrada ao Divino Coração em cumprimento de um voto da Irmã Maria do Divino Coração, beatificada a 1 de Novembro de 1975.

Nichos da Sr.ª de Fátima
Partindo de lugares diferentes da cidade – Bela, Bom Pastor, Costa, Gandra, Saibreiras, Sampaio, Santa Rita, Sonhos e Soutinho –, convergem para o largo da Igreja matriz nove procissões de velas, acompanhando cada qual a sua imagem da Senhora de Fátima. O encontro de todos junto da Igreja matriz constituiu uma apoteótica e emocionante manifestação de piedade e comunhão. Esta magnífica e esplendorosa Procissão está enraizada no povo de Ermesinde desde há muitos anos, tendo começado em algumas localidades e espalhando-se a nove localidades da cidade de Ermesinde, o que por si só é uma obra fantástica e que reúne os habitantes da terra numa comemoração única no dia 12 de Maio.




Tudo leva a crer que a Capela de S. Silvestre seja o mais antigo monumento de Ermesinde e há quem diga ter sido a primeira Igreja Matriz deste aglomerado populacional que remonta ao tempo da nacionalidade.
A Capela de S. Silvestre, serviu de Igreja Matriz à Paróquia de S. Lourenço de Asmes conforme é revelado no catálogo dos Bispos do Porto, em 1625, o que dá a este templo, pelo menos a idade de 379 anos. Embora por cima da porta principal se encontre gravada a data de 1711, é de presumir que esta seja relativa a uma reconstrução deste templo.
O gracioso templo, dos tempos em que Ermesinde se chamava S. Lourenço de Asmes e que era uma pequena aldeia rural dos arredores do Porto com um recorte românico, apresenta um alpendre (tecto saliente que serve de cobertura à entrada do templo) anteposto à fachada principal, com 3 arcos em volta perfeita, um virado para afrente e os outros dois no sentido Norte-Sul. Lá dentro é venerado S. Silvestre que é o motivo da romaria que em Ermesinde se realiza todos os anos, na altura em que a população se despede do antigo ano a 31 de Dezembro e deseja sob a bênção do Santo padroeiro um Ano Novo, sem fome, sem doenças e sem guerras.
No período da 1ª Republica a Capela de S. Silvestre esteve quase a desaparecer. Na sessão de 21 de Maio de 1911, o Presidente da Freguesia, Amadeu Sousa Vilar, reconhecendo a grande necessidade que havia de proteger as crianças pobres, lembrou a construção de uma creche e disse que podia ser aproveitado o terreno da Ermida onde está a Capela de S. Silvestre, uma vez que esta estava num estado de completo abandono e já em ruínas.
Este estado de abandono deve ter começado nos finais do século XIX, mais concretamente em 1892, quando o adro da Capela de S. Silvestre foi cortado, pelo empreiteiro Domingos Marques Correia, ao construir a estrada de Ermesinde Á Codiceira. Na altura, a Junta de Paróquia de S. Lourenço de Asmes recebeu da Direcção das Obras Públicas 38 mil reis pela expropriação do terreno retirado ao recinto da capela.
No ano de 1920, a Junta de Freguesia entra na posse definitiva da Capela de S. Silvestre em troca de 100$00, tendo o Pároco sido obrigado a entregar a chave da mesma. A Junta destinou a Capela a escola primária, sendo o assunto registado em acta da Junta em 31 de Dezembro de 1921.
Dois meses depois (Fevereiro de 1922), uma comissão ofereceu à Junta uma porção de terreno contíguo ao que a Câmara possuía no lugar da Travagem com a mesma superfície do da Capela, para aí ser construída a escola, com a condição da Capela de S. Silvestre não ser demolida. A Junta não aceitou a oferta, por não ver nela qualquer vantagem (...)
(...) A Capela “salvou-se” precisamente num dos dias em que habitualmente se celebra a festa de S. Silvestre (28 de Dezembro).
Nesse dia, do ano de 1922, houve uma reunião conclusiva. A Junta resolveu aceitar o terreno oferecido pela Câmara no lugar do Souto, com a superfície igual ao terreno que ocupava a ermida.   
Em virtude desta resolução, foram entregues ao pároco da freguesia as chaves da Ermida.




IGREJA DA SANTA RITA

OU IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BOM DESPACHO DA MÃO PODEROSA

Esta Igreja começou a ser construída a 12 de Outubro de 1749 na Quinta da Mão Poderosa, doada por Francisco da Silva Guimarães e por Francisca Carneiro da Silva, sua mulher, moradores na Cidade do Porto, à Congregação dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho. Primeiro foram construídos os dormitórios do convento, servindo a velha ermida para os actos litúrgicos e orações, e mais tarde deu-se a construção da Igreja que ainda hoje se pode admirar, com a invocação de Nossa Senhora do Bom despacho que já se venerava na ermida anterior.
         Desde o inicio, apareceu a referência a Santa Rita de Cássia, que é venerada desde sempre pela Congregação, que celebra a sua festa todos os anos, no dia 22 de Maio. A devoção a esta Santa tornou-se tão grande em Ermesinde e nas redondezas que hoje a Igreja é conhecida por     Igreja de Santa Rita, embora o seu nome verdadeiro seja Igreja da Nossa Senhora do Bom despacho da Mão Poderosa. A Igreja do Convento terá sido levantada à custa de doações delegadas de muito fiéis sendo de destacar, a D. Mariana Victória (esposa de D. José I), cujas armas ficaram para sempre gravadas no novo templo. A Rainha concedeu este apoio monetário uma vez que o seu confessor era Frei António da Anunciação.
        A nova Igreja não é arquitectonicamente muito rica, mas pela sua enorme dimensão e por alguns elementos decorativos, inscreve-se num certo gosto barroco típico da época da sua construção. 
         Os Agostinhos da Mão Poderosa, tal como outras Ordens religiosas, eram em termos políticos, bastante conservadores. Prova disso é que tomaram partido pelas tropas Miguelistas, durante a Guerra civil que se travou em volta do Porto, entre 1832 e 1834, registando-se alguns confrontos mais sangrentos nas imediações do Convento. Nessa altura o Convento da Mão Poderosa tornou-se Hospital de Sangue dos Absolutistas, e o próprio Rei D. Miguel aqui veio para visitar os feridos de guerra, no dia 20 de Dezembro.
       Com a extinção das Ordens Religiosas, a Igreja do Convento passou a ser propriedade do Estado. Assim continuou a pertencer ao Estado mesmo quando o Convento e a propriedade anexa foram vendidos. Mais tarde, o Padre Kaufmann, Director do Colégio da Congregação do Espírito Santo, conseguiu que o Estado autorizasse que o templo fosse anexado ao seu seminário, o que viria a suceder por Decreto de 16 de Janeiro de 1895, tendo em consideração que ele se destinava à formação de Missionários para as Colónias Portuguesas.
       A partir desta data o Templo ficou associado aos diversos colégios que lá foram instalados e hoje pertence ao Colégio de Ermesinde, ou seja, é propriedade da Diocese do Porto, tal como o Colégio.
       Em 1953, Monsenhor Miguel Sampaio, que era director do Colégio, procedeu a profundas obras de restauro e conservação do Templo. São desse tempo os azulejos do interior da Igreja.
       A Igreja de Santa Rita converteu-se num centro de culto, aonde iam e vão ainda, todos os domingos, centenas de peregrinos cumprir as suas promessas. Existem alguns vestígios que alguns peregrinos deixaram durante a sua